A trajetória da Associação Shao Lin de Kung Fu, desde o banco na Rua 15 de Novembro até a consagração na Rua da Consolação.
Rua da Consolação, 2267 - São Paulo. Onde tudo começou.
A ASKF (Associação Shao Lin de Kung Fu) nasceu ali, na Rua da Consolação, 2267 em São Paulo, quase na esquina da Av. Paulista, uma das avenidas mais famosas no mundo. Sua história será melhor compreendida lendo e vendo os relatos daqueles que a vivenciaram, seguindo também o aprendizado do Grão Mestre Amaral, bem como o desenvolvimento do Kung Fu no Brasil. Tudo isso se funde num acontecimento único, que ganhou grande desenvolvimento entre os brasileiros.
Pois bem, de forma resumida, vamos lá: Meados de 1975, eu trabalhava num grande banco na rua 15 de novembro em São Paulo. Pelo meu sotaque sabiam que eu era do interior. Quando alguém me perguntou onde eu morava, com vergonha de contar, intuitivamente respondi: "Na Associação Shao Lin de Kung Fu". Parecia melhor dizer assim.
De fato, eu tinha como residência a academia do Mestre Natali, sita à Rua Augusta, próximo à Av. Paulista, e ela se chamava "Chan Tao Chuan". Lá, após minha jornada de trabalho, eu atuava como aprendiz e auxiliar do mestre, mas eu não pretendia ser um professor, queria apenas ser um faixa preta. Contudo, foi lá que conheci amigos como o Sifu Cido (Aparecido de Souza Soares), o Sifu Paulo José da Silva e recebi a visita do Mestre Lee Wing Kay.
Tempos depois, por ter outros interesses deixei a escola, mas os amigos incentivavam a continuar. Foi quando convidei o Mestre Lee Wing Kay como técnico e fundei a ASKF (Associação Shao Lin de Kung Fu). Olhem que interessante: em 1975 havia intuído esse nome mas não pensava em abrir escola e agora dois anos depois estava sendo fundada e assim surgiu a ASKF.
Pois bem, montamos um negócio que vendia um produto que cansa, dói e é difícil de aprender, que ninguém conhecia, pois não havia internet, jornais, revistas, fotos. A única coisa que tínhamos era a sequência dos filmes de Kung Fu por David Carradine e alguns filmes no cinema, aqueles mais baratos que chamávamos de "Pulgueiros", mas ninguém conhecia. Sem nenhuma pesquisa de mercado, sem dinheiro para reforma e somente com dez por cento do valor do aluguel. Loucura? Ousadia? Coragem? Fé? Pois é, assim fizemos.
Pois bem, apesar da dificuldade o Kung Fu cresceu, já havia pessoas suficientes para realizar uma competição. Assim, através do amigo Osvaldo José Gola, realizamos o primeiro campeonato em Ribeirão Preto. Logo realizamos outro em São Paulo e foi surgindo a oportunidade de melhor organização da arte, pois na época não havia associações, federações. A única entidade registrada ligada à luta era a Federação de Pugilismo. Ficamos registrados por um bom tempo e, por sugestão deles, fomos incentivados a criar nossa própria federação, o que culminou num debate e fundamos a primeira Federação e a primeira Confederação de Kung Fu.
A escola foi crescendo e fui percebendo que, além da técnica, a parte mental ajudava muito, tanto que muitas pessoas relatavam que haviam parado de beber bebida alcoólica, que sua maneira de ser havia melhorado muito. Tivemos também alguns relatos fortes de pessoas que se curaram de câncer e outras doenças. O sucesso foi bem acentuado, até que em uma certa época os alunos tinham senha para pegar um treino de tanta gente que havia.
Embora o sucesso, entendi que deveria liberar os Instrutores para que seguissem seus caminhos e testassem sua própria capacidade. Assim, na Copa Kung Fu 90 (um dos melhores campeonatos da época), os instrutores receberam suas graduações das mãos do M. Lee e seguiram suas vidas.
A parte mental e filosófica me fez entender que não deveria seguir uma linhagem e sim aprender de todas elas, pois todos temos coisas boas e o mais importante é absorver o conhecimento e torná-lo na prática. Aprendi a enfatizar aquilo que no começo me deu a partida: a "Intuição".
Vejo também que muitos ex-alunos, hoje grandes empresários de academias, alguns com muitas filiais, também não representam uma linhagem, pois entenderam muito bem o seu lugar e respeitam suas capacidades sem precisar estar aliado a um nome famoso. Esse assunto será melhor detalhado em notas futuras.
Em 2011, já trilhando 40 anos de trabalho ali na Rua da Consolação, onde muita gente se beneficiou desta prática, resolvi deixar a direção da escola, encerrando assim minha carreira prática e competitiva do Kung Fu. Entendi que sem a parte mental e filosófica o aprendizado jamais será completo, e agora dedico todo o meu tempo aos estudos da vida humana e como tornar-se um cidadão planetário decente.
O significado das cores da Academia também é um dos segredos da base em que foi fundada a escola e seu sucesso. Essas cores foram copiadas por centenas de academias, vale ressaltar que também somos pioneiros nesse exemplo.